Dinosaur Jr. - Minglewood Hall, 14/4/2009

O Dinosaur Jr., que está prestes a lançar um novo álbum, Farm, do qual adianta a faixa "I Don't Want To Go There", nesta ótima apresentação no Minglewood Hall, Memphis, TN, USA, no dia 14 de abril de 2009. J Mascis, Lou Barlow e Murph estão em plena forma. Destaque para "Just Like Heaven", cover do Cure. Não deixe de conferir.

Tracklist:

1. In A Jar
2. Forget the Swan
3. Back To Your Heart
4. Been There All The Time
5. I Don't Want To Go There
6. Little Fury Things
7. Feel the Pain
8. Pick Me Up
9. Tarpit
10. Freak Scene
11. Kracked
12. Sludgefeast
13. The Wagon
14. Just Like Heaven

( { [ DOWNLOAD via RapidShare ] } )


Dinosaur Jr. tour dates:
09 jun 2009, MOJO Honours Show @ The Forum, London
10 jun 2009, Rockhouse, Derby, Midlands
20 jun 2009, The Detroit Bar, Costa Mesa, California
21 jun 2009, The Casbah [SOLD OUT], San Diego, California
22 jun 2009, Troubadour, West Hollywood, California
23 jun 2009, Troubadour, West Hollywood, California
25 jun 2009, Music Hall of Williamsburg [SOLD OUT], Brooklyn, New York
28 jun 2009, Rockwave Festival, Athens
04 jul 2009, Halifax V-Festival, Halifax, Nova Scotia
22 ago 2009, Pukkelpop 2009, Hasselt



Links: dinosaurjr.com | myspace


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Terminal Guadalupe - O Tempo Vai Me Perdoar EP (2009)

O Terminal Guadalupe lançou o EP O Tempo Vai Me Perdoar, que vem a ser a despedida da banda, segundo Marcelo Costa, editor do site Scream & Yell, que com a MTV, ficou encarregado de distribuir gratuitamente o EP. Com arte assinada pelo grande Diego Medina e quatro músicas novas que o Terminal Guadalupe gravou com os produtores Roy Cicala (John Lennon) e Apollo 9 (ex-Planet Hemp), e que deveriam estar no quinto álbum da banda.

O EP tem quatro músicas inéditas - “O Tempo Vai Me Perdoar”, “Chico Balboa”, “Romance Juvenil Operário” e “BR 376″ - que reunem a última formação do TG com Dary Jr. (voz e letras), Allan Yokohama (guitarra, violão, teclado e vocal), Fabiano Ferronato (bateria) e Luciano Aires, o Marano (baixo e vocal).

1. “O Tempo Vai Me Perdoar” [mp3]
2. “BR 376” [mp3]
3. “Romance Juvenil Operário” [mp3]
4. “Chico Balboa” [mp3]

DOWNLOAD: EP completo com músicas, capa, encarte...
Ou DOWNLOAD via zShare (mesmo conteúdo)

P.S.: Segundo o Mondo Bacana, Dary Jr. já está organizando o retorno do TG com outros músicos. Então, para comemorar, vamos rememorar seis pérolas da banda.

MP3: Terminal Guadalupe - Lorena Foi Embora
MP3: Terminal Guadalupe - Pernambuco Chorou
MP3: Terminal Guadalupe - Tambores B
MP3: Terminal Guadalupe - Esquimo por Acidente
MP3: Terminal Guadalupe - Burocracia Romântica
MP3: Terminal Guadalupe - Que Saudade de Você (Odair José cover)

Links: tg.mus.br | myspace | tramavirtual | lastfm | orkut | fotolog

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"Pequeno Cidadão" por Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antônio Pinto

Pequeno Cidadão foi criado por Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antônio Pinto, que lançaram o álbum de estréia de seu mais novo projeto infantil. O disco foi mixado por Gustavo Lenza e feito em conjunto com os respectivos filhos dos músicos.

O quarteto intitulou o repertório como MPC - Música Psicodélica para Crianças. Entre os temas abordados nas canções estão “o sapo-boi, a lagartixa, a chupeta, o uirapuru, o futezinho na escola, o leitinho, e por aí vai”. “As músicas são inspiradas nos nossos filhos, na nossa experiência como pais e também nas nossas lembranças de infância”, dizem os quatro, em um texto de apresentação.

Além de ouvir o álbum na íntegra na página do projeto no MySpace, é possível assistir os vídeos das músicas e uma entrevista com os envolvidos. A faixa-título diz que “é sinal de educação fazer sua obrigação para ter o seu direito de ser pequeno cidadão”.

Confira a lista de faixas e a capa:

Pequeno Cidadão (2009)

1. Pequeno Cidadão
2. O Sol e a Lua
3. Meu Anjinho
4. Futezinho na Escola
5. O "x"
6. Tchau Chupeta
7. Sapo-Boi
8. Leitinho
9. Larga a Lagartixa
10. O Uirapuru
11. Sobe Desce
12. Bonequinha do Papai
13. Carrinho por Trás
14. Pererê



RELEASE: "PEQUENO CIDADÃO é um projeto da gente só com músicas pras crianças. As músicas são inspiradas nos nossos filhos, na nossa experiência como pais e também nas nossas lembranças de infância. Os temas são: sapo-boi, lagartixa, chupeta, uirapuru, futezinho na escola, leitinho... e aí vai.... Os shows estão muito divertidos e o CD já está chegando nas lojas. Respondendo as perguntas: nas Livrarias Cultura, Siciliano, Saraiva e Travessa já tem o CD pra quem quiser comprar (todas elas vendem pela int, Saraiva e Travessa já tem o CD pra quem quiser comprar (todas elas vendem pela internet também). As camisetas PEQUENO CIDADÃO, de algodão orgânico, são vendidas nos shows. VALEU!"

Link: www.myspace.com/pequenocidadao

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God Help The Girl – “Come Monday Night” [MP3/VIDEO]

O God Help The Girl, projeto musical capitaneado por Stuart Murdoch do Belle & Sebastian, com as vocalistas Catherine Ireton, Brittany Stallings, Anna Miles, Celia Garcia, Dina Bankole e Alex Klobouk, depois de liberar para download gratuito o primeiro single, “Come Monday Night”, agora também tem vídeo.

MP3: God Help The Girl - “Come Monday Night” [+mp3]


“Come Monday Night” is the first music video from God Help The Girl, a story set to music by Stuart Murdoch of Belle and Sebastian.
Directed by Blair Young and Stuart Murdoch.



Links: site | myspace | youtube | facebook | imeem | roughtraderecords | matadorrecords | musicasocial

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SP Sônica Compilation

Organizamos este SP Sônica Compilation, juntando 12 faixas de 12 bandas/artistas da cena indie brasileira com seus mais recentes singles, disponibilizados gratuitamente. SP Sônica é um portal independente criado para ajudar a divulgar nossa cena indie. Divirta-se!

Tracklist:
MP3: Nancy - Keep Cooler
MP3: 2 Coins And A Bombshell - Deep Disorder
MP3: Juliana R. - Since I've Met You
MP3: FireFriend - Liz
MP3: Sunset - Run With Me
MP3: Lulina - A Margarida
MP3: Seychelles - Poperô da Reposição Hormonal
MP3: The Biggs - You Got It Girl
MP3: As Cobras Malditas - Love Myself For Hating You
MP3: Satanique Samba Trio - Cabra da Peste Negra
MP3: Tupiniquin - Incenso
MP3: Input_Output - The Proposition (Nick Cave & Warren Ellis cover)
Bonus Tracks:
MP3: FireFriend - Liz (Retrigger Remix)
MP3: Nancy - Keep Cooler (Born Ruffians Remix)

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Conheça a SP Sônica.

Conheça também:
Sub Pop Compilation
Barsuk Records Compilation

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The Sunday Reeds

The Sunday Reeds é um duo australiano de Melbourne, formado por Romana Ashton (vocals, bass) e Drew Jones (guitar), e que também conta com o reforço de Andy Dawson (drums). Como você deve ter notado na foto, na capa, no videoclipe e no som, trata-se de aficcionados por Jesus & Mary Chain e seu Psicocandy - e isso é bom.

Imagine uma orgia entre Jesus & Mary Chain (principalmente), Joy Division, Ramones e Velvet Underground. Linhas de baixo conduzindo, guitarra cheia de feedback, rock primitivo batido e alto, com forte carga sensual/sexual no vocal feminino. Como se Nico ou Deby Harry cantassem nos Ramones, ou algo assim.

The Sunday Reeds estão lançando seu álbum de estréia, o ótimo Drowning In History, lançado oficialmente em 13 de abril passado, com 13 faixas, em sua maioria com duração entre 2 e 3 minutos. É pura orgia noise de feedback. O disco sai via Squirrel Records e já está disponível na Amazon.

MP3: The Sunday Reeds - Dead Inside
MP3: The Sunday Reeds - In Our Room
MP3: The Sunday Reeds - Sitting with Camille Claudel
MP3: The Sunday Reeds - James Dean
MP3: The Sunday Reeds - Wrong
MP3: The Sunday Reeds - 2000 & Something
MP3: The Sunday Reeds - Handgun to my Heart
MP3: The Sunday Reeds - Walk Away
MP3: The Sunday Reeds - Radio Blues




Release:
The Sunday Reeds are a female-fronted noise pop/rock band named after Melbourne patron of the arts Sunday Reed. The love-child of some kind of rock 'n' roll orgy between The Jesus and Mary Chain, Joy Division, The Ramones and The Velvet Underground. Driving bass lines, plenty of guitar feedback, primitive pounding rock beats and alto, sex-laden female vocals. If Nico had joined The Ramones, strapped on a bass guitar, and a whole lot more noise was added, this is how it might have sounded. Some facts about The Sunday Reeds: Founding members Romana Ashton and Drew Jones met at a university music course in Rockhampton, Queensland. They both dropped out of the course. Romana has a PhD in literary and cultural studies from Central Queensland University and wrote a thesis on the Gothic in Australian/New Zealand cinema. Romana named the band after reading Janine Burke's biographies of Joy Hester and Sunday Reed. Sunday Reed had a triangular love affair with her husband John Reed and Australian artist Sidney Nolan for a number of years. She, according to some sources, committed suicide in 1981 not long after the death of her husband. The Sunday Reeds' debut album 'Drowning in History' is out now through Squirrel Records and also available from amazon.com.

Links: MySpace | Squirrel Records


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Barsuk Records Compilation

Organizamos este Barsuk Records Compilation, juntando 20 faixas de 20 bandas/artistas com seus mais recentes lançamentos, começando com algumas faixas quentíssimas saindo do forno nos próximos meses de 2009, depois passando por 2008, indo até 2007 e finalizando com um clássico de 2000. Barsuk Records é um selo independente criado em 1994 em Seattle, Washington, USA. Divirta-se!

MP3: Starlight Mints - Zoomba *
MP3: Viva Voce - Octavio *
MP3: The Wooden Birds - False Alarm *
MP3: Say Hi - Oh Oh Oh Oh Oh Oh Oh Oh *
MP3: Ra Ra Riot - Dying is Fine **
MP3: Lackthereof - Choir Practice **
MP3: Mates of State - My Only Offer **
MP3: Jim Noir - Don't You Worry **
MP3: What Made Milwaukee Famous - Resistance St. **
MP3: Nada Surf - See These Bones **
MP3: Chris Walla - Sing Again **
MP3: Half Japanese - Put Some Sugar On It ***
MP3: Travis Morrison - As We Proceed ***
MP3: John Vanderslice - White Dove ***
MP3: Rocky Votolato - Postcard From Kentucky ***
MP3: David Bazan - Cold Beer And Cigarettes ***
MP3: Aqueduct - Living A Lie ***
MP3: Jesse Sykes - LLL ***
MP3: Menomena - Wet And Rusting ***
MP3: Death Cab For Cutie - For What Reason ****

Releases: (*) 2009, (**) 2008, (***) 2007, (****) 2000

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Compre/Buy via Barsuk Records

Conheça também: Sub Pop Compilation

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Patrick Wolf: o novo álbum "The Bachelor"

Patrick Wolf, cantor, compositor, músico multi-instrumentista (harp, clavinet, harpsichord, guitar, piano, autoharp, organ, mountain dulcimer, clavichord, harmonium, accordion, theremin, ukulele, spoons, harmonica, mandolin, viola, violin, etc), britânico, 25 anos, originário de South London. Combina música eletrônica com instrumentos clássicos, seu leque de estilos vai do romantic folk ao techno pop, passando por indietronica, folktronica, alternative rock e baroque pop.

MP3: Patrick Wolf - Vulture

Apesar da pouca idade, está lançando seu quarto álbum, The Bachelor está previsto para sair do forno em 1º de junho próximo, ao menos oficialmente, pois o disco já caiu nos braços da blogosfera à algum tempo. The Bachelor, que sucede Lycanthropy de 2003, Wind in the Wires de 2005 e The Magic Position de 2007, ratifica e muito o talento de Wolf.

Tracklist:

1. Kreigspiel
2. Hard Times
3. Oblivion
4. The Bachelor
5. Damaris
6. Thickets
7. Count Of Casualty
8. Who Will
9. Vulture
10. Blackdown
11. The Sun Is Often Out
12. Theseus
13. Battle
14. The Messenger

Patrick Wolf tour dates:

20 mai 2009, Cockpit, Leeds
22 mai 2009, Stanley Theatre (Soundcity), Liverpool
23 mai 2009, Academy (Dot To Dot Festival), Bristol
24 mai 2009, Rock City (Dot To Dot Festival), Nottingham
25 mai 2009, O2 Academy, Birmingham
27 mai 2009, Waterfront, Norwich
28 mai 2009, Leadmill, Sheffield
29 mai 2009, Classic Grand, Glasgow
31 mai 2009, Academy 2, Manchester
1 jun 2009, Electric Ballroom, London
5 jun 2009, El Corazon (ALL AGES), Seattle, Washington
6 jun 2009, Richard’s On Richards (19+), Vancouver, British Columbia
8 jun 2009, Slim’s (ALL AGES), San Francisco, California
9 jun 2009, The Roxy (ALL AGES), Hollywood, California
12 jun 2009, Oriental Theater (ALL AGES), Denver, Colorado
14 jun 2009, Fine Line Music Café (18+), Minneapolis, Minnesota
15 jun 2009, The Bottom Lounge (18+), Chicago, Illinois
17 jun 2009, Mod Club (ALL AGES), Toronto, Ontario
19 jun 2009, Tralf Music Hall (ALL AGES), Buffalo, New York
20 jun 2009, North Star Bar (ALL AGES), Philadelphia
21 jun 2009, Middle East Downstairs (18+), Boston
23 jun 2009, Highline Ballroom (16+), New York
24 jun 2009, Rock and Roll Hotel (ALL AGES), Washington DC, Washington DC
26 jun 2009, Cat’s Cradle (ALL AGES), Carrboro, North Carolina
27 jun 2009, The Loft at Centre Stage Atlanta (ALL AGES), Atlanta, Georgia
30 jun 2009, Granada Theatre (ALL AGES), Dallas, Texas
1 jul 2009, Antone’s Nightclub (ALL AGES), Austin, Texas
12 jul 2009, Futures Stage (T in the Park), Kinross, Scotland
18 jul 2009, Main Stage (Latitude Festival), Suffolk, East
19 jul 2009, Ferropolis (Melt Festival), Gräfenhainichen, Berlin
29 jul 2009, Paredes de Coura Festival, Praia do Tabuão
2 ago 2009, Victoria Park (Underage Festival), London, London and South East
8 ago 2009, Abbey of Santa Maria, Sesto al Regena
13 ago 2009, Opernterrassen (C/O Pop Festival), Cologne, Nordrhein-Westfalen
14 ago 2009, Elbinsel (Dockville Festival), Hamburg, Hamburg
15 ago 2009, Slottsskogen (Way Out West Festival), Gothenburg, Västra Götalands län
21 ago 2009, Pukkelpop Festival, Hesselt
23 ago 2009, Stausee (Highfield Festival), Erfurt, Thüringen
30 ago 2009, Headline 3rd Stage (Rock en Seine), Paris


Links: patrickwolf.com | myspace | lastfm | wikipedia

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Mariana Aydar em Peixes Pássaros Pessoas (por Caetano Veloso) [RE:POST]

Peixes Pássaros Pessoas (por Caetano Veloso)

"Quando ouvi o primeiro CD de Mariana Aydar (faz um ano, mais?) fiquei muito impressionado com a firmeza, a calma e a originalidade de uma jovem grande cantora dentro da tradição brasileira de cantoras grandes. O lançamento agora deste segundo álbum confirma a personalidade artística dessa paulistana com longas passagens pelo litoral Sul da Bahia.

O vínculo com o samba amadurecido e modernizado se comprova. Os ecos da infância artística no mundo do forró estão talvez mais presentes do que antes. A parceria com Duani de música e de vida traz segurança e graça a essas filiações. O encontro mágico com a caboverdiana Mayra Andrade (encontro cuja dimensão celestial pode ser vista e ouvida também no filminho disponível no YouTube das duas cantando a canção Tunuka sentadas no chão da rua de uma cidade grande) mostra o poder da musicalidade, a sutileza do processo de modernização da música brasileira e o mistério do destino da expansão lusitana pelo mundo, no nascedouro da modernidade.

Escrevo com apenas os sons das faixas desse novo disco: não recebi nem pedi ficha técnica, títulos das canções ou quaisquer créditos. Talvez esse seja o jeito certo para abordar modestamente o trabalho de uma mulher de maneiras tão diretas, de clima tão saudavelmente carnal e de pensamentos e disciplinas tão transcendentalistas.

Mariana abre o disco com um samba super-samba e o fecha com uma melodia de samba ad libitum em diálogo com guitarras (violões) em sons experimentais. Entre os dois, há xote caribeado, baladas e muito samba. Em dueto com Zeca Pagodinho, ela confessa que do samba não pode se livrar. O samba domina o álbum - sem fazer deste um disco de sambas. Pode-se dizer que assim o domina mais do que se apresentasse oficialmente como um disco de sambas: é a atração irresistível pelo samba que orienta o estilo e o repertório, não uma decisão pré-existente nesse sentido.

Há quem veja pouca importância ou novidade no aparecimento de uma geração de jovens cantoras atraídas pelo samba. Em geral, são pessoas que confundem importância com novidade - e que não sabem onde há novidade de fato. Para mim é novidade que haja Mariana, com sua voz desaforada e tranquila reafirmando a riqueza do canto das mulheres em nosso país. E que o faça de uma perspectiva naturalmente moderna e relaxadamente consciente dessa modernidade. O Brasil nunca se curará do seu antigo ensimesmamento forçando um olhar só para fora de si: se fizer assim, estará se convencendo de que o relevante é necessariamente o que passa longe de nós. Parece que instituímos o seguinte: quanto mais evidente e radical se consiga fazer parecer que essa distância é, mais relevante se prova a música produzida. O que é a consequência extrema do ensimesmamento. Meu entusiasmo com o surgimento de cantoras-cantoras, conhecedoras de como se canta em português brasileiro há décadas - e ao mesmo tempo à vontade com a música popular global - se deve à minha desconfiança em face dos que fingem só amar o que pareça inalcançável pelo Brasil. Isso pode significar apenas que não se ama nada. Mariana - como Roberta Sá, Maria Rita ou Mônica Salmaso - é uma prova de que, ao encorpar-se em sua história, a música popular brasileira se reconhece relevante para o mundo. E o mundo só dá mostras de que continuará a atentar para isso"


Peixes Pássaros Pessoas (por José Flávio Júnior)

Mariana Aydar representa perfeitamente o que é a cantora brasileira em 2009. Canta bem, compõe, tem ótimas referências musicais — e nenhum preconceito, interpretando gêneros diferentes —, é charmosa, jovem e está preparada para encarar as mudanças latentes no mercado musical. Até aí, nenhum problema. Mas ele existe. Essa paulistana de 29 anos compete com dezenas de cantoras que ostentam os mesmos predicados, todas almejando audiências maiores. Como se diferenciar da manada num cenário tão pródigo em talentos?

Mariana responde com Peixes Pássaros Pessoas, seu segundo CD. Tudo o que não estava bem resolvido no primeiro disco — Kavita 1 — é sólido em seu sucessor, desde a capa (a primeira, um mosaico brega com várias imagens de Mariana; no novo CD, a cantora imersa no caos do galpão da escola de samba Leandro de Itaquera) até o repertório (em vez de temas consagrados por Elis Regina, só composições de gente da sua geração ou um pouco mais velha).

O gênero musical predominante é o samba. Mas, curiosamente, Mariana se destaca para valer quando se afasta dele. Uma das fugas se dá na sétima faixa, a irresistível Tá?, um xote todo torto escrito por Carlos Rennó, Pedro Luis e Roberta Sá (uma daquelas cantoras que concorrem com Mariana). As palavras que encerram os versos aparecem pela metade, pois "pra bom entendedor meia palavra bas...", prega o refrão. A brincadeira remete a Cadê Teu Suin-?, do segundo disco do Los Hermanos, grupo que Mariana gravou em seu début.

Como hoje não há nada mais óbvio do que gravar Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante (os líderes da banda carioca), Mariana foi procurar pérolas em outros mares. E achou Peixes, da dupla budista gaúcha Os The Darma Lóvers, que já não merecia ser apenas cult. Originalmente uma balada folk, ela é um brado de libertação, que diz: "nós morremos como peixes/ com o amor que não vivemos/ satisfeitos mais ou menos". A cantora vive o texto com intensidade, pontuando a canção com um grito desbragado, o momento de maior impacto do álbum.

Outro achado é a luxuriosa Beleza, do casal Rodrigo Campos e Luisa Maita (outra "rival" fantástica). Em dueto com a cabo-verdiana Mayra Andrade, Mariana exalta o ato sexual, o calor que a mantém acesa. Casa maravilhosamente bem com Aqui em Casa, criação de Mariana e do namorado, Duani, que vem na sequência. Nesse, o melhor samba do disco, uma anfitriã trata seu hóspede com todo carinho, mas teme que ele confunda a cortesia com outra coisa. Tem jeitão de samba para a história, que será lembrado por ter inaugurado um assunto. O novo CD deixa Mariana numa posição privilegiada diante das adversárias. Quem lucra é o fã de música brasileira: enquanto as cantoras se estapeiam por um lugar ao sol, ele sorri com a certeza de que já ganhou.


Peixes Pássaros Pessoas (por Ronaldo Evangelista)

Antes do primeiro disco, qualquer cantora pode ser qualquer coisa. Canta-se, vive-se, experimenta-se, descobre-se. Então, de repente, os denominadores se tornam comuns e uma afirmação é feita com arranjos, repertório, voz. Diz-se: aqui estou. Já o segundo é uma encruzilhada, cheia de possibilidades e riscos; a chance de dizer mais ou mais do mesmo. Mariana Aydar, desde sempre movida pela vontade do novo, abriu os braços e encarou com tudo que tinha a vontade de dizer mais.

Em seu segundo álbum, Peixes Pássaros Pessoas, deixou nascer e crescer o impulso de fazer mais, cantar mais, buscar mais, encontrar mais. O instinto de Mariana é afiado. Em três anos - tempo desde sua estréia, Kavita 1 -, Mariana rodou: cantou muito, em muitos lugares, para muitas pessoas. Aprendeu sobre a vida e sobre a música, e seu novo disco é resultado disso. As afirmações se tornam mais profundas, cada palavra e som mais verdadeiros.

Fazendo música com a mesma naturalidade com que vive, Mariana começou pela galera: foi atrás de gente da sua geração que admira e perguntou se não tinham uma musiquinha ali pra ela. Um passo além do que já era um dos grandes charmes de sua estréia, a pesquisa musical. Onde antes havia o encontro de uma tradição que passava por João Nogueira, Théo de Barros, Leci Brandão, João Donato, Eduardo Gudin, agora há Romulo Fróes, Luisa Maita, Nenung, Roberta Sá, Pedro Luis.

Mariana é tão paulistana quanto se pode ser, mas nela isso assume sentidos amplos. O ritmo intenso e o caldeirão de referências da cidade se tornam matéria-prima de um pensamento aberto e inclusivo. Onde cantoras caretas vêem rivalidade, Mariana prefere encontrar parcerias. Se revelar compositora e ainda ganhar canções de Roberta Sá e Luisa Maita é luxo para poucas, para uma. Lançar canção inédita de Romulo Fróes e ainda recontextualizar uma pérola de Nenung idem.

Duani, parceiraço de Mariana desde seu primeiro disco, sempre impressionante com seu vigor e facilidade pra fazer tudo - e fazer tudo bem -, foi produtor e peça fundamental do álbum antes e durante de todo o processo, em casa, ajudando a buscar os sons e criar o disco, conversando, especulando, tocando muito, compondo. Para juntar todas as idéias e achar aquele som orgânico e criativo, o nome de Kassin surgiu naturalmente. Além de já ser de saída um dos mais originais e seguros produtores destes tempos (só lembrar de seus trabalhos com Jorge Mautner, Los Hermanos, Orquestra Imperial, tantos outros), Kassin tem ainda a sensibilidade permanente de achar o pessoal e revelar o verdadeiro.

As participações instrumentais também são emblemáticas: do guitarrista-símbolo do experimentalismo tropicalista Lanny Gordin (em duo de guitarra e voz com Mariana) ao pai da cantora, Mário Manga (do Premê, tocando violoncelo), passando pelos jovens e talentosos Marcelo Jeneci, Donatinho, Gustavo Ruiz, Marcio Arantes, vários outros.

Moderno sem ser forçado, tradicional sem ser careta, Peixes Pássaros Pessoas deixa fluírem as canções enquanto revela constantemente detalhes para deixar cada som mais interessante. São pequenos gestos espontâneos de criatividade anticaretice que enriquecem os arranjos - como a guitarra cítara levando o refrão de "Beleza", o baixo synth que dá o groove de "Tá?", a harpa dialogando com banjo e cavaco em "Manhã Azul", o stylofone de "Poderoso Rei", a bateria algo afrobeat de "Teu Amor é Falso" ou Carlinhos 7 Cordas tocando baixo elétrico e guitarra pela primeira vez, em "Aqui em Casa". É como se Mariana não tivesse se colocado limites: vale tudo, desde que surja com verdade e soe bem. Daí, a pegada zen-psicodélica de "Peixes" soa tão natural à Mariana e ao disco quanto a levada afro sensual de "Beleza", a pegada de "Pras Bandas de Lá" ou o samba de "Florindo".

O samba, aliás, era uma questão central. Pela autoridade com que Mariana sempre cantou o estilo, era fácil aos preguiçosos simplificá-la como Nova Sambista ou rótulo similar. Ela, então, decidiu: o disco novo não traria sambas. Mas eles são parte dela, como todo o resto, e foram pintando inevitáveis. Duani, sempre certeiro, aproveitou a inspiração e compôs "O Samba Me Persegue", que ganha ainda sentidos maiores com a participação tão à vontade de Zeca Pagodinho.

Fazendo parte de uma tradição que já tem tantas cantoras, em uma época com tantas ainda, parece incrível se destacar, como realmente é. Mas na.. Mariana diz muito, diz com voz própria, e o diz por muitos. Se querem ouvi-la e ela cada vez quer dizer mais, não é puro acaso, é sinal que algo faz sentido. Mariana não se satisfaz mais ou menos. Viver afogada no destino de morrer como decoração das casas não é futuro pra ela. Dizer o que todos dizem, fazer como todos fazem é pouco. Com isso em mente, veja o quê e como canta Mariana no disco.

O compositor Romulo Fróes e seu parceiro Clima parecem ter sentido o que Mariana precisava dizer e para ela fizeram "Nada Disso é Pra Você", carregada de significados. Nuno Ramos, outro da turma de Romulo, surge parceiro de Duani na delicada "Manhã Azul" e da própria Mariana na personalíssima "Tudo que Trago no Bolso". Luisa Maita, compositora afiada e cantora cheia de seus próprios méritos, entrega a Mariana "Beleza", um quase-transe sobre o transe de se cantar e vazar emoções a quem ouve. "Beleza", aliás, tem também a participação da cantora caboverdeana Mayra Andrade, misturando sua voz com a de Mariana em harmonia de arrepiar. "Tá?", parceria do casal Roberta Sá & Pedro Luis com o letrista Carlos Rennó, é divertido e esperto xote sobre o animal mais bes de toda fauna. Pra bom entendedor...

No centro das afirmações profundas do disco, surge "Peixes", do compositor gaúcho Nenung, da banda cult Os The Darma Lovers. Um grande achado, de sabedoria simples e arranjo hipnótico, com guitarras fortes e grito abafado. Mariana, ela mesma, escreve sobre escrever e encarar a página em branco para dizer o que não tem palavras, em "Palavras Não Falam". O arranjo de clima setentista, piano elétrico e sopros, mostra o quão à vontade a cantora sempre se encontra no groove.

Mariana compositora aparece também na real "Aqui em Casa", em parceria com o parceiro de casa Duani. Letra prosaica, ritmo orgânico e Mariana humana, sem máscaras de diva. A vontade de dizer a real da vida é mais um entendimento de Mariana como artista: se não for pra ser a mesma em disco, no palco, na vida, é porque há algo errado. O mesmo vale em "Pras Bandas de Lá", de Duani. E se não reparou até agora, é hora de notar: o disco segue até o fim evitando o clichê fácil de se cantar o amor óbvio. "Teu Amor é Falso" (mais uma de Duani) é a única composição no disco a falar do amor romântico - e surge quase como uma alegoria, negando o próprio amor romântico.

Muito se fala sobre o futuro da música brasileira, o papel da geração de hoje, a linha evolutiva da MPB. Muito se especula, muito se tenta, muito se esforça. Muito se prepara, pouco se vive. Com dois discos, Mariana já diz, faz, busca e encontra. Mais: com a naturalidade que lhe é inerente em tudo na vida. Peixes Pássaros Pessoas pode muito bem ser um disco pra afirmar e marcar um momento na música brasileira. Mas, mais que isso, é um disco pra marcar e afirmar um momento na vida de Mariana Aydar - e de quem se dispuser a ouvi-la.


Ouça 5 faixas de Peixes Pássaros Pessoas:
MP3: Mariana Aydar - Palavras Não Falam
MP3: Mariana Aydar - Tá?
MP3: Mariana Aydar - Peixes
MP3: Mariana Aydar e Mayra Andrade - Beleza
MP3: Mariana Aydar - Aqui em Casa

Ouça 4 faixas de Kavita 1:
MP3: Mariana Aydar - Candomblé
MP3: Mariana Aydar e Lecí Brandão - Zé do Caroco
MP3: Mariana Aydar - Vento no Canavial
MP3: Mariana Aydar - Onde Está Você?


O DISCO:
Peixes Pássaros Pessoas (Universal), de Mariana Aydar.
Produtores: Duani e Kassin.
Preço médio: R$ 25.



Links: Site oficial | MySpace | ppp | k1


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Ringo Deathstarr: 'In Love', 'Summer Time', etc...

Ringo Deathstarr é uma banda de Austin, Texas, USA, formada por Elliott Frazier (guitar, vocals), Alex Gehring (bass, vocals), Dustin Gaudet (drums) e Renan McFarland (guitar), gostam de tocar alto, com muita microfonia e fazem sets curtos. São loucos por Jesus & Mary Chain e seu Psychocandy e por My Bloody Valentine e seu Loveless, e adcionam pitadas de Drop Nineteens, Ride e afins, mas são muito Psychocandy. E isto é um elogio.

Recentemente, soltaram mais duas canções em sua página no MySpace, "In Love" e "Summer Time", tomara que isso seja indício do muito aguardado álbum de estréia.

MP3: Ringo Deathstarr - In Love
MP3: Ringo Deathstarr - Summer Time

Seu EP de estréia, o auto-intitulado de 2007, único lançamento da banda, até agora, é uma droga das mais poderosas e viciantes. Eis-lo aqui, mas é bom ter cuidado.

Ringo Deathstarr ~ 'Ringo Deathstarr' EP
(SVC-015 - October 2007)

01. Swirly [mp3]
02. Starrsha [mp3]
03. Some Kind of Sad [mp3]
04. Down on You [mp3]
05. Sweet Girl [+mp3]

Bunus Tracks:
MP3: Ringo Deathstarr - Swirly [edit]
MP3: Ringo Deathstarr - Some Kind of Sad [demo version]

Links: MySpace | SVC Records

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Caetano e bandaCê: "zii e zie"

Um passo a dar com a banda do "Cê" (hoje bandaCê) e a lembrança permanente daquele disco de Clementina com Carlos Cachaça. "Incompatibilidade de gênios" e "Ingenuidade" estão em "zii e zie" porque são as faixas núcleo daquele disco, as que ficaram sempre acesas na memória. Não tenho um exemplar do disco de Celementina comigo. Talvez um vinil tenha ficado na casa de Dedé e hoje Moreno o achasse. Mas nem perguntei a ele. Num dos primeiros ensaios da série Obra em Progresso, aquele em que Jaquinho foi o convidado, quis ensaiar "Incompatibilidade" e comentei com Pedro, Ricardo e Marcelo que na minha lembrança Clementina cantava em, digamos, dó maior, em vez do lá menor do João Bosco. Tinha na memória uma harmonia mais convencional quando ouvi a gravação desse samba com o autor pela primeira vez: a que tinha ouvido antes com Clementina. Achei que João Bosco tinha feito uma rearmonização e desejei voltar ao jeito que está no disco dela. Mas não estava certo de que minha lembrança não fosse uma ilusão. Jaquinho então disse: "por que você não faz em dó maior, se é isso que você está sentindo?". Tentei achar a gravação de Clementina ali na hora (Moreno não ia aos ensaios), na internet, mas não achei. Achei uma exuberante e espetacular de João Bosco ao vivo no YouTube. Em lá menor, claro. Me pergunto se há muita coisa melhor do que aquilo no mundo. Mas minha idéia era totalmente oposta à daquele tratamento jazzístico moderno e com um suingue de samba tão profundamente sentido por todos os músicos que chega a doer. Voltei para a sala de ensaio com vontade de talvez nem cantar a música. E com a certeza de que, se o fizesse, seria em lá menor: o dó maior seria bonito numa versão ingênua que quisesse ser o que Clementina soava pra mim. Na versão simplificada mas nada ingênua que eu imaginava, o centro tonal em lá menor - e os acordes tensos ao seu redor - era o que se exigia. A batida monótona tinha de o ser tanto quanto a de "Perdeu", embora um tanto diferente: partindo da idéia básica da batida de Bosco. Experimentamos. E a canção entrou não só no show seguinte como está no disco.

Me demoro contando sobre a entrada de "Incompatibilidade de gênios" (e algo sobre a de "Ingenuidade") em "zii e zie" porque acho que isso joga luz sobre todo o sentido do novo disco. Conhecendo o que eu sugeri para "Perdeu" (e o que, juntos, conseguimos com esse transamba), os três caras da banda intuíam o que deveria estar em minha cabeça como tratamento para "Incompatibilidade". Mas as mudanças por que o projeto de arranjo passou em minha mente eles não acompanharam. Voltei do computador decidido a incluir a música no disco e dizendo que a versão de João era humilhante, mas que a gente faria um "transamba", enquanto ele fazia "samberklee". A piada era boa e fez rir. Não dá para competir: nossa versão apenas mostra uma abordagem diferente, que talvez suscite outras interpretações desse samba obra-prima. Isso diz muito do que fazemos, nesse disco, com o samba em geral.

De "Diferentemente" (a mais velha das canções do CD) a "Lapa" (a mais nova), todas as composições nasceram comigo usando batidas de samba no meu violão - e buscando frases melódicas que evocassem a tradição do gênero. As únicas exceções talvez sejam "Por quem?" e "Sem cais". Digo "talvez" porque para "Por quem?" sempre imaginei uma bateria dobrando uma transbossanova sobre o ternário às avessas do meu violão - e a balada de "Sem cais" já veio à mente de Pedro com muito samba dentro. Pode ser que alguém ache difícil reencontrar isso em "Menina da Ria" ou mesmo em "Lobão tem razão". Mas eu digo que, embora em "A cor amarela" haja explícitas palmas de samba-de-roda, há mais samba na base daquelas duas canções (e em "Tarado ni você") do que no axé light da menina preta. Mantive as minhas batidas de violão do momento da composição em todas as gravações. Sugeri relações de contraste ou de distorção entre elas e a atividade dos outros instrumentistas. Chegamos a coisas muito bonitas e, mesmo para nós, intrigantes.

"zii e zie" é um disco feito com a bandaCê, concebido para ela. Ela tinha sido concebida para fazer o "Cê". Por isso há mais unidade na partida do "Cê" do que na chegada, ao passo que há mais unidade na chegada do que na partida do "zii e zie". Para nós quatro foi custoso reconhecer essa verdade (que pareceu óbvia a ouvintes não envolvidos na feitura).

"Cê" foi concebido para criar uma banda. Mas foi um disco de letras muito pessoais minhas. Eu olhava para meu entorno próximo. Em "zii e zie", as letras olham para mais longe. Atém-se majoritariamente ao Rio, mas aí vai a lugares variados: da favela ao Leblon, da Lapa à praia; de Chico Alvez a Los Hermanos; de anônimos típicos a celebridades atípicas, como Kassin, a combinações inusitadas de personalidades cariocas, como Guinga e Pedro Sá. Mas as letras olham para mais longe de mim também: Guantánamo, grutas do Afeganistão, Washington. Voltam os nomes próprios e o tom de comentário dos signos dos tempos que sempre fizeram presença em meu repertório.

Tudo contribuiu para que este viesse a ser um disco mais de banda do que o anterior. Moreno e Daniel Carvalho ficaram mais felizes com o material sonoro que produzíamos. E nós nos sentíamos ainda mais relaxados no diálogo com eles dentro do estúdio. Pedro foi mais um produtor que dirige a feitura da música. Moreno, mais um produtor que dirige a feitura do som. Daniel era responsável pela técnica de captação. Moreno tem um ouvido muito fino para gravação, mixagem e masterização. Ele ilumina os técnicos. E o tratamento sonoro que ele e Daniel trazem ilumina a música.

"zii e zie" é um disco muito claro e denso, nascido num ano de chuvas no Rio, um ano de nuvens pesadas e escuras, sem metáfora. É um disco que saúda a era Fernando Henrique/Lula e fala de ambições de ascensão do Brasil no cenário mundial num tom de tristeza íntima mitigada. Entro na velhice. Pedro e Moreno estão no auge da idade adulta. Marcelo e Ricardo chegam a ela. Somos pessoas de gerações diferentes partilhando interesses musicais e humanos semelhantes. E com assustadas expectativas de futuro soando em nossas cordas metálicas, plásticas, mucosas.

Por Caetano Veloso
Abril de 2009

Links: caetanoveloso.com.br | ziiezie | obraemprogresso | zez/cav/c


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