
A revista
Rolling Stone Brasil publicou sua lista das 50 melhores músicas de 2008, dividindo igualmente entre nacionais (abaixo) e internacionais. Confira todos os detalhes no site da
Rolling Stone Brasil.
1.
Marcelo Camelo e Mallu Magalhães - JantaA receita clássica das duas melodias (e letras) em contraponto, que se conversam e se desconversam, não poderia ser mais apropriada para narrar esta história de um amor em fase de descoberta, que já nasce consciente de que pode não durar para sempre - "Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá." Ao contrário do que se acredita, Camelo compôs sozinho as melodias e a letra bilíngüe. Mallu Magalhães só emprestou seu timbre elegantemente arranhado e um bocado de inspiração para que a canção fizesse aflorar tamanho nível de sinceridade. O arranjo é um primor de tão cru: não há nada além das vozes, dos dois violões (o próprio Camelo no outro) e de milhares de intenções rondando no ar, revelando-se em cada silêncio e suspiro
2.
Lenine - Samba e LevezaComposta a partir de escritos deixados por Chico Science (mostrados a Lenine pela irmã de Chico, Goretti), a faixa é beleza única, que só poderia ser resultado do encontro de dois mestres que não tiveram tempo de firmar uma parceria ao vivo.
3.
Mallu Magalhães - J1"Tchubaruba" pode ser a marca registrada, mas "J1" é ainda mais pegajosa. Na singela melodia, que ganhou amplitude quando foi incluída em um comercial de TV, Mallu confessa ser "esquisita e estranha". É ela que está dizendo...
4.
CSS - Rat Is Dead (Rage)Nada de frivolidade dançante: o primeiro single de Donkey é um rock direto com influência do grunge. A letra, paranóica, é marcada por um incessante "I know, I know". E, quando a banda se junta para cantar a sinistra frase "rat is dead", dá até pra sentir medo do pessoal do CSS.
5.
Marcelo D2 - DesabafoO refrão - um sampler da voz da cantora Claudia no samba "Deixa eu Dizer", de 1973 - é daqueles difíceis de tirar da cabeça, e incrementa aquilo que D2 faz de melhor: mistura de samba com batidas dançantes, linha de baixo cheia de suingue e rimas recorrentes em seu "cancioneiro".
6.
Macaco Bong - AmendoimA música que define o som do trio instrumental de hard rock de Cuiabá: uma longa jam com timbre de blues, múltiplas passagens, muita distorção... Jimi Hendrix e Rush ficariam orgulhosos.
7.
Forgotten Boys - Quinta-FeiraA banda se notabilizou por cantar em inglês, mas aqui se arriscou em português: Gustavo Riviera pilota a voz neste rock cru e direto sobre um sujeito que passa uma semana inteira movido a aditivos.
8.
Cérebro Eletrônico - DêO título se refere a expressões que transitam entre o inocente e o sacana, as quais não encontram contexto separadamente. Mas, para Tatá Aeroplano, uma palavra é suficiente para se fazer uma bela canção pop.
9.
Curumin - CompactoEm um misto de samba, rock e soul, o baterista compositor caprichou na filosofia da malandragem para compor uma das faixas mais desencanadas do ano.
10.
Guizado - VermelhoA trilha sonora inevitável de um pesadelo urbano e surrealista. Não faltam cores e texturas à experiência lisérgica do multiinstrumentista paulistano: batida hipnótica, riffs sintetizados em seqüência e assustadores esporros de trompete.
11.
Tom Zé - Síncope JãobimCarregada de ironia e lirismo, a letra faz um inventário dos personagens da bossa nova e relembra como era a MPB antes do aparecimento do "bim-bom" de João Gilberto.
12.
Mallu Magalhães - TchubarubaNão se sabe se Mallu tentou compor ao estilo da "feel good music" dos anos 60, mas é essa a sensação resultante da audição desta suave balada pueril sobre aproveitar as boas coisas da vida.
13.
Skank - ChãoO baixo entra pesado, a guitarra é barulhenta e o riff é quase metaleiro: composta em uma jam, é a faixa que melhor define o atual estilo - festeiro e pesado - da banda de Belo Horizonte.
14.
Cavalera Conspiracy - SanctuaryÉ a materialização de um desejo - tanto dos fãs quanto dos irmãos Cavalera - que parecia nunca tornar-se realidade: o reencontro da bateria frenética de Iggor com a voz apocalíptica de Max. A química entre a dupla, pelo menos, o tempo não conseguiu afetar.
15.
Chico César - Comer na MãoO paraibano assume sua vocação de forrozeiro neste xote poético, que mostra como um tradicional ritmo nordestino pode se relacionar amigavelmente com o reggae jamaicano.
16.
Pedro Luís e a Parede e Zeca Pagodinho - Ela Tem a Beleza Que Nunca SonheiO pandeiro, o violão de Paulão 7 Cordas e a participação de Serginho Trombone fazem a cama para a voz de Zeca Pagodinho, convidado de mais um samba universal da PLAP.
17.
O Rappa - Monstro InvisívelA letra desta criação coletiva é vaga, mas critica o "Monstro invisível que comanda a horda", mais uma referência aos perigos que rondam as comunidades que eles tanto estimam.
18.
Gilberto Gil - Banda Larga CordelEm seu papel de defensor das tradições, mas conectado às tecnologias, o ex-ministro reinveste num tema inaugurado no velho hit "Pela Internet", em uma mistura de cordel, sertão e mundo digital.
19.
Marcelo Camelo - Mais TardeO ex-Los Hermanos parece até ter escrito a lânguida e dolorida melodia em uma tarde de brisa em uma praia deserta. O clima semi-acústico e o vocal quase em falsete dão o charme especial.
20.
CSS - MoveComo um hit dos anos 80 convertido para este século, este é um convite sensual de Lovefoxxx a um mergulho sem volta em uma pista de dança abafada.
21.
3 na Massa e Thalma de Freitas - EnladeiradaEm meio a atrizes recitando letras-poemas com vozes roucas, Thalma é soberana quando canta "dentro de mim você vai morar", no melhor momento de um dos grandes discos brasileiros do ano.
22.
Krisiun - Slaying SteelA abertura de Southern Storm é uma amostra do alto nível de brutalidade, evolução técnica e artística do trio gaúcho - sem dúvida, o mais competente grupo de metal extremo da atualidade.
23.
Ney Matogrosso - LemaEscrita por Carlos Rennó e Lokua Kanz, a canção, inédita, define com perfeição o estado de espírito do sempre jovial intérprete.
24.
Udora - A Falta (Que Me Faz)Ao deixar o inglês de lado, o quarteto não só assumiu as raízes, como ampliou o alcance de sua música e provou ter potencial radiofônico - como nesta faixa de altas guitarras e refrão empolgante.
25.
Do Amor - PerdizesHit das paragens indie, representa bem o som do grupo carioca que não tem pudores em juntar infl uências consideradas nada cool - como carimbó e outros ritmos nordestinos - à música pop.
Textos: Pablo Miyazawa, Ademir Correia, Leonardo D. Pereira, Antônio do Amaral Rocha, José Julio do Espírito Santo, Paulo Cavalcanti, Marcus Preto, Bruna Veloso.
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