Lulina - Cristalina (2009)

Guia prático e sentimental da Lulilândia
Por Xico Sá

Não há GPS no amor, tampouco há um guia confiável nos becos da Lulilândia, uma terra mais de se perder do que se virar, depois não diga que não fiz a advertência, lesado moço matuto de novidades. Passeio ideal para um flâneur, com requinte e alma de cachorro magro de tão besta e livre, bons panos, lenço no pescoço, mas sem frescura de dândi, pode ser mulher ou pode ser homem.

Você já foi grande? Então durma com os carneiros do Murakami, aqui eles são bichos do sono, na rede. São tantas as fabulações que a gente encontra no Lulitour que é melhor ficar calado feito o golfo esquecido na dobra de um mapa gigante. Cerimônia. Melhor não fazer mesmo perguntas ao generoso cosmonauta na autopista. Deixa!

Faça apenas fotos, como um japonês rebobinável congelando a queda d’água em haikais, caminha, anda, peste, tem bosque e tudo, Cochilândia, a melhor siesta depois de Gabiléia e Olinda. É quase o mundo todo, incluindo o invisível e derretimento da neve que tá por dentro de quem pisa em falso naquelas plagas.

E se você gostar e lá ficar? Esqueça coisa besta de utopia, né isso não, seu coiso, tolinho, é só poesia como grama, relva, e formigas nem tão gigantes assim que se alimentam do bolo final do picnic dos amores tamanho P, M ou G. Sabe essas coisas que acabam? Na Lulilândia parecem que duram só mais um pouco, pra viciar a criatura, arte de um cupido traficante de doces e esperas cristalinas.

Sim, tem Reveillon, jornais com Jerry Lewis na primeira página e Príncipes capazes de multiorgasmos, tem cachaças, desgraças, uma bodega geral da nação com velhinhos estrangeiros atrás dos balcões de fórmica verde claro. Fiado só amanhã, não insista, beba que passa. É lindo, eu prometo, e fica por isso mesmo.

De noite tem paulistas, puta, meu, na balada sussa, tipo assim descolex, nem tanto, lá eles nem trabalham, curtem com a cara de outros seres que não se acostumaram fora da garolândia sem ressacas. É bonito, vem, seu besta!

É tão relax a Lulilândia que tem até apocalipse, não aquela coisa fim de mundo de São João Baptista –o bíblico- eu digo é um the end decente, coisa fina, classe média, Veuve Clicquot, Sydra Cereser, arroz com passas… As minas de calcinha rosa e os caras vendo Faustão, as minas na mão, querendo um amor e os manés falando de futebol.

No fundo é um disco tão, digamos assim, bonito, que esconde esses lugares todos. É também um museu vivíssimo e precoce –circulante, ambulante, viajeiro no último- de tudo que a moça já fez na sua vida breve e compassada. Visite. Missionário José y Carlos “Cacá” Lima também agradecem. Tanta canção fueda, por Diós, que a gente fica inventando alegria e sofrimento para caber dentro delas. Trilha!


Lulina - Cristalina (2009)

01. Criar Minhocas é Um Negócio Lucrativo (Lulina)
02. Nós (Lulina)
03. Bichinho do Sono (Lulina / Juliangela)
04. Margarida (Lulina / Monstro / Juliangela)
05. Narcolepsia (Lulina)
06. Música Para Colocar Naquele Som com Despertador (Lulina)
07. Do You Remember Laura? (Lulina)
08. Blebs (Lulina / Monstro)
09. Mi gostar musga (Lulina)
10. Subtexto (Lulina)
11. 13 de Junho (Lulina / Monstro / Juliangela)
12. Meu Príncipe (Lulina / Monstro)
13. Balada do Paulista (Lulina / Ju Calderón) [MP3]
14. Sangue de ET (Lulina)
15. Jerry Lewis (Lulina)
16. Bosta Nova (Lulina / Monstro)
17. Argumentos (Lulina)
18. Poesia (Lulina / Ronaldo Evangelista)

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Cristalina, gravado na YB, é o primeiro disco "oficial" de Lulina. Apesar do gosto de estréia, é seu décimo disco - os outros nove, em esquema gravado em casa, montados artesanalmente e distribuídos entre os amigos. Aproveitando o momento, ela comenta cada um de seus álbuns:


Cristalina (2009)

São minhas músicas depois de tomarem banho e se arrumarem para a festa. Reúne o melhor dos 6 primeiros anos de composições e gravações caseiras, produzidas com o capricho de um estúdio maravilhoso e dos profissionais de primeira da Yb.


Aceitação do 14 e Aos 28 Anos Dei Reset na Minha Vida (2008)

Retorno de saturno bombando no juízo. Aperreios de 2007 e 2008 transformados em música aos 45 do segundo tempo, em gravações limpas, apesar de caseiras. O 14 é a reflexão e o 28 é a conclusão.


Translúcida (2006)

Disco de transição entre as gravações caseiras e as de estúdio, produzido em umas três noites em um quartinho dos fundos da Yb (complementado com gravações em alguns chãos de apartamentos de Perdizes e da Consolação). Foi a primeira vez que os meninos da banda participaram de gravações.


Sangue de ET (2005)

Até hoje, não consigo escutar esse disco sem sentir um aperto no coração. Composto e gravado na ressaca do falecimento da minha vó, é um disco que reflete basicamente sobre perdas. Gravei sozinha, tocando quase todos os instrumentos no meu quarto, com meu laptop albino chamado Hermeto.


Bolhas na Pleura (2004)

Somatizei os problemas e deu nisso: bolhas na pleura, milhões de amigdalites e otites e um disco com tudo isso musicado. Foi o primeiro álbum que deixei a produção 100% na mão do Monstro, pois eu estava tão fraca que nem tinha vontade de gravar. Os vocais do disco me lembram isso, quando escuto. Foram gravados de primeira, no comecinho de 2005 – apesar de boa parte do disco já estar pronta desde 2004 -, registrando exatamente a tristeza do momento, pois alguns deles eu gravei poucas semanas depois que minha vó faleceu. No encarte, eu dedico o disco às minhas duas avós, que foram embora no mesmo mês (a minha vó que era mais próxima de mim faleceu no dia do meu aniversário). Foi um ano bem difícil e se não fosse o Monstro, esse disco não existiria (e a capa, feita por Juliângela, é a minha preferida entre os meus discos caseiros).


Nublada em Surto (2004)

Como o nome já diz, é um disco de surto em um dia nublado. Acordei no sofá do Monstro, em um carnaval com amigdalite em São Paulo, com milhões de músicas na cabeça. Liguei o computador dele, peguei meu violão desafinado e cantarolei papapás e lalalás, só para registrar as idéias. Acabou que boa parte das músicas ficou com essas letras mesmo. Composto e gravado, com a ajuda do Monstro, em pouco mais de um fim de semana, tem um clima de chapação antibiótica que eu gosto muito.


Abduzida (2003)

Da selva amazônica para a selva de pedra. O abduzida é o disco que coloco quando estou triste, para poder dar umas gargalhadas. Foi o primeiro álbum que gravei em São Paulo. Aborda temas que vão da viagem que fiz à Amazônia no mesmo ano (frutas imaginárias, bubararas e seres exóticos) à minha abdução por essa cidade (cinema iraniano, quadros de Tarsila e seres exóticos). Todo gravado “ao vivo” (ligávamos o microfone de computador e colocávamos no meio da rodinha de amigos, no chão do apartamento, cada um com um instrumento em uma mão e uma lata de cerveja na outra). Sem dúvida, o mais divertido e coletivo disco que já gravei.


Cochilândia (2002)

Disco recomendado para quem sofre de insônia, propositadamente longo para dar sono, gravado em madrugadas no quarto e no computador de um ex-namorado (o primeiro a me incentivar a fazer minhas gravações caseiras). Contém músicas com temas que variam entre sono, sonhos, roncos e despertadores, é o disco preferido de muitos dos meus melhores amigos.


Acoustique de France (2001)

Primeiro disco que gravei, também na casa desse meu ex-namorado, onde fingíamos que eu era uma cantora brasileira que estourou na França. O álbum é como se fosse a gravação ao vivo de uma entrevista comigo em um programa de rádio francês.


[via vitrola]



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CDs & MP3s:
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7 comentários:

Wagner Oliveira disse...

A Lulina foi, sem dúvida, uma das melhores coisas que descobri esse ano.

Werty disse...

No la conocia. Muy buena la verdad.
Te dejo mi blog. Es de musica.
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Saludos!

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Vegetal disse...

Não conhecia Lulina...
nossa!! que voz linda... lípida
muito bom... ótimas melodias...
obrigado pelo post.

Anônimo disse...

Thank you, Lulina, for coming to our tiny island and sharing your music. Please come back again!

murilo disse...

Parabéns pela sonzera!
Muito bom adorei as letras!!
os arranjos..
Maravilha
Murilo Matos- Botucatu -sp

Anônimo disse...

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