Nação Zumbi - 10 Canções

O zum-zum-zum da Capital
por Rodrigo Silveira

Pense em uma típica capital latino-americana, pobre, violenta, isolada e esquecida. Pense em um bando de jovens sem dinheiro nem perspectivas. Essa combinação, que a um primeiro olhar não tem nada de atraente para a indústria cultural, mudou completamente a cultura pop brasileira nos anos 90.

Chico Science e Nação Zumbi apareceram no cenário musical brasileiro misturando os tambores de maracatu - hoje uma marca da banda - e ritmos regionais com rock, funk, hip hop e dub. Ninguém, se não eles, chamou tanta atenção para a cidade do Recife. Eles e seus parceiros do mangue beat colocaram outra vez Pernambuco - estado outrora importante, mas decadente no início da década de 90 - no círculo cultural brasileiro obrigatório.

Talvez guiados pelo mote da banda paulistana Fellini, "Mudar de lugar ou mudar o lugar?" ("Valsa de la Revolucion", do disco "Três Lugares Diferentes", Baratos Afins, 1987), Chico e a Nação propuseram que Recife, "a quarta pior cidade do mundo", poderia, afinal, ser um lugar diferente, abrigar um movimento musical totalmente novo, que viesse acrescentar novos elementos à música mundial. E o lugar mudou, depois do lançamento de "Da Lama ao Caos", do Nação, e de "Samba Esquema Noise", do Mundo Livre S.A..

Este turbilhão criativo, porém, sofreu um violento trauma no carnaval de 1997. Chico Science, ou simplesmente Francisco de Assis França, morreu em um acidente de carro quando ia de Recife a Olinda.

À época, muitos quiseram acreditar que a banda não seguiria em frente sem o carismático frontman. Mesmo sentindo a perda do parceiro, o grupo abriu um capítulo novo em sua própria história.

Tamo aí mandando brasa

"Rádio S.Amb.A." foi o primeiro disco assinado como Nação Zumbi, mas trazia várias idéias do tempo de Chico. O título vinha de uma brincadeira entre os integrantes, na época em que ele ainda vivia, assim como os pseudônimos adotados nos créditos (o de Chico era Dr. Charles Zambohead, o de Jorge du Peixe, Pixel3000, o de Lúcio Maia, Jackson Bandeira, o de Djengue, Djeiki Sandino e o de Pupilo, Fortrex). A novidade residia nas letras de Jorge du Peixe e nas composições, feitas para a sua voz. "Rádio S.Amb.A." apontou direções que seriam seguidas nos lançamentos seguintes do grupo.

Lançado de forma independente (o contrato com a Sony fora cancelado depois do lançamento do disco "CSNZ"), muito experimental, complexo, profundo, resultado de mais de cem horas de estúdio e de uma banda coesa e poderosa, o disco "Rádio S.Amb.A." apresentou a Nação com uma inabalável personalidade, incomum no cenário musical brasileiro. Aos descrentes em relação à carreira da banda, o recado foi desafiadoramente preciso, ao melhor estilo drug dealer: "Diga a seus amigos que, de onde saiu este, há muito mais..."

E a promessa foi cumprida. O próximo passo da banda foi assinar com a gravadora Trama e lançar o seu disco homônimo, "Nação Zumbi". Como bem observou o mestre de cerimônias Rodrigo Brandão, em sua resenha deste disco, o grupo destilou a fina arte da reinvenção. Compôs hits poderosos como "Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada", "Blunt of Judah" e "Mormaço" e consolidou-se como a maior banda independente brasileira em atividade.

Se alguém ainda tem dúvidas, ouça "Futura", o sexto lançamento da Nação Zumbi. É seguro afirmar que eles impressionaram, uma vez mais, quem os ouviu.

Dez Canções:
01. Hoje, Amanhã e Depois
02. Memorando
03. A Ilha
04. Carimbó
05. Del Chifre Beach
06. O Caranguejo no Campo das Virtudes
07. O Encontro de Issac Asimov com Santos Dumont no céu
08. O Fole Roncou (Luiz Gonzaga)
09. Blunt Of Judah (ao vivo)
10. Cidadão do Mundo (ao vivo)
Quatro Bônus:
11. O Homem da Gravata Florida (J Ben por Los Sebosos Postizos)
12. Quero Esquecer Você (J Ben por Los Sebosos Postizos)
13. Rios, Pontes e Overdrives (Orq Manguefônica ao vivo)
14. Salustiano Song (Orq Manguefônica ao vivo)

Seis Vídeos:
01. Manguebit (Ao vivo no Abril Pro Rock 2005)
02. Banditismo Por Uma Questão de Classe (Ao vivo no Abril Pro Rock 2005)
03. Rios, Pontes e Overdrives (Ao vivo no Abril Pro Rock 2005)
04. Quando a Maré Encher (Ao Vivo no Rec-Beat 2004)
05. Meu Maracatu pesa uma Tonelada (Ao Vivo no Rec-Beat 2004)
06. Manguetown (Ao Vivo no Rec-Beat 2004)

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